Queimadas no Pantanal e a militância ambiental nas redes

No segundo semestre de 2020, as queimadas afetaram intensamente o Pantanal, e pesquisadores estimam perda de aproximadamente 20% da biodiversidade do bioma em decorrência desses eventos. Entre agosto e novembro, realizamos uma coleta no Twitter de menções ao Pantanal, coletando mais de 500 mil ocorrências. Após análise dos dados, foi possível observar os principais atores e assuntos mais falados em relação a esse tema central.

Cidadãos comuns: Os usuários que mais citaram o Pantanal no período analisado não falavam com frequência nem sobre meio ambiente, nem sobre política. Fumaça nas cidades, perdas irreparáveis, animais queimados e ameaça aos povos indígenas foram os principais motivos dessa inédita sensibilização. Assim, relatos sobre o impacto do fogo são assuntos de destaque nesse grupo.

Progressistas: Nesse agrupamento, a orientação política dos usuários é evidente. Assim, críticas ao governo Bolsonaro e ao Ministério do Meio Ambiente são predominantes. Elas foram acentuadas após cortes de investimento na área ambiental, como redução de verba para controle de queimadas e desmatamento, além de um vídeo em que o Presidente debocha sobre os incêndios na região. Relatos dos impactos do fogo também são significativos aqui.

Bolsonaristas: Com apenas 1% das ocorrências, defensores do governo ressaltam o uso das forças armadas para o combate aos incêndios. Todavia, é importante destacar a disseminação da Fake News sobre o assunto, como vídeos que culpam ONGs ambientalistas por promoverem queimadas na região.

Os resultados podem ser visualizados no grafo abaixo. O agrupamento isolado (circulado) é o Bolsonarista. No centro estão unidos os cidadãos comuns, progressistas e ambientalistas que pedem por ações e medidas urgentes para salvar o Pantanal.