Hostilidade bolsonarista contra pré-candidatos embasa fake news

As hostilidades de bolsonaristas contra candidatos à presidência em agenda – bem como sua viralização nas redes sociais – estão diretamente ligadas à tentativa de deslegitimar o TSE e as urnas eletrônicas. Explico:

Os candidatos mais citados com relação as suas agendas em um recorte recente foram Lula, Ciro e João Doria. Ao contrário do que poderíamos imaginar, este tema é majoritariamente negativo para os três. Estas críticas partem de dois grupos: bolsonaristas (65%) e atores com comportamento suspeito (16%). Petistas compõe apenas 3% dos atores que citam este tema. Outro destaque é: 97% das menções de bolsonaristas ao tema são feitas de forma negativa.

Essa ofensiva dialoga com uma série de objetivos bolsonaristas no decorrer do processo eleitoral. O primeiro deles é questionar e colocar em xeque as pesquisas eleitorais. Argumentos como “as pesquisas são fraudadas” são recorrentes e atingem institutos de pesquisa. A fim de corroborar essa narrativa, o bolsonarismo aposta na hostilização pública de candidatos e a veiculação dessas hostilidades para municiar de elementos sua base. Assim, se outros candidatos são hostilizados e Bolsonaro não é, a pesquisa “não condiz com a realidade”.

Esse processo, que já é observado ao longo dos últimos anos e visa desacreditar as pesquisas, serve em última instância como mais um elemento para a narrativa bolsonarista contra as urnas eletrônicas e o TSE. De maneira geral, após anos consolidando a “fraude das pesquisas”, o bolsonarismo busca uma “janela de oportunidade” para alegar que qualquer resultado eleitoral que se assemelhe às pesquisas será, invariavelmente, também uma fraude eleitoral.