Ocupações: as redes teimam em revelar o que o noticiário tenta ocultar

Os últimos meses foram de intensa movimentação contra a PEC 241. Dentre as ações e atos organizados pela sociedade civil estão as Ocupações a escolas e universidades de todo o Brasil. Até esse momento as ocupações já ocorrem em milhares de unidades de ensino, com principal atenção em alguns estados, como o Paraná. Não ouviu nada sobre? Talvez a culpa não seja sua, e sim da grande imprensa.

O movimento que até aqui vêm sendo destaque nas redes sociais online é constantemente ignorado por parte da grande imprensa brasileira. O mais completo silêncio parece ter tomado conta das redações quando o assunto são as ocupações.

Porém, nas redes sociais online os movimentos estudantis encontraram a possibilidade de mostrar o que vem sendo feito. Encontraram até mesmo a oportunidade de contra argumentar com a grande mídia que, insiste apenas em divulgar notícias negativas que busquem deslegitimar as ocupações: morte de estudante, mudanças no ENEM, entre outros.

ocupacoes

No Twitter foram coletados 223.611 tweets para análise das ocupações. O que se observa em um cenário macro é que a luta dos movimentos e usuários progressistas é para não deixar os argumentos que buscam deslegitimar o movimento obterem êxito. Assim, a importância de usuários como MidiaNINJA e j_livres é enorme. São eles, dentro de um cluster (amarelo) permeado de usuários notoriamente de esquerda/progressista que dão voz e ocupam o lugar da imprensa na divulgação e cobertura dessas ocupações.

Outros usuários como withebeatles e protelando também tem um papel essencial nessa luta: são eles que atingem um cluster (vermelho) curioso acerca do tema, mas sem contato com perfis políticos. Aqui, o discurso “esclarecedor” sobre as ocupações e a “humanização” dos atores envolvidos é extremamente efetiva. Tweets que reforcem o caráter educacional das ocupações, a interação que surge a partir dela e a boa convivência (com policiais, por exemplo), tem um potencial enorme frente à usuários que não abordam regularmente o tema.

Os clusters vermelho e amarelo aqui se sobrepõe ao cluster azul. Em um cenário de baixa popularidade do atual governo federal, o cluster azul ainda se propõe a defender as políticas e medidas encabeçadas pelo executivo federal. São eles que buscam, apoiados pela desinformação promovida pela grande mídia, deslegitimar o movimento dos estudantes brasileiros. Aqui, argumentos centenários de “difamação da esquerda” são reproduzidos incessantemente: maconheiros, preguiçosos, baderneiros e por aí vai. Os ataques encontram força ainda em dois pontos específicos: criminalização dos movimentos sociais (ligação com UNE, UBES, CUT, MTST, MST, entre outros) e adiamento da prova do ENEM para uma parcela dos vestibulandos. Apoiados nesses temas foram disseminados diversos ataques às ocupações que ocorrem em todo território brasileiro.