Reunião dos ministros: esqueçam a bala de prata

Esqueçam a bala de prata. Como em uma luta de boxe que será definida por pontos, sair cantando vitória é fundamental na “teatralidade” do ato mas ineficaz no resultado que se aproxima. Assim, as últimas 24 horas pós divulgação de um escandaloso vídeo se explicam:

– O bolsonarismo não cresceu, o bolsonarismo não lucrou e muito menos ‘ressurgiu’ pós divulgação. Ele continua lá, extremamente barulhento e cada vez mais limitado aos 25% que o defendem, no grafo identificados pela cor verde.

– O agrupamento que polariza com o bolsonarismo que, outrora foi de esquerda/progressista, passa a ser composto por um universo de atores e clusters improváveis até meses atrás. Aqui (azul) se unem atores ligados à imprensa, parlamentares de esquerda, influenciadores como Felipe Neto e até mesmo lavajatistas – os mais interessados de forma direta pelo conteúdo divulgado no vídeo.

Grafo que compila as menções à Jair Bolsonaro 24 horas após a divulgação do vídeo da reunião ministerial

– O debate sobre lavajatistas também se faz necessário, uma vez que o embate aqui não é, após muitos anos, entre esquerda/bolsonarismo, mas sim entre lavajatistas e bolsonaristas. São eles que duelam e sangram pelo poder da narrativa e pela condução dos fatos. Fato é que ambos sangrarão, e muito, durante os próximos dois anos e meio ou até que uma das duas frentes (hipótese extremamente improvável até aqui) ceda. Cena dos próximos episódios.

– Por fim, vale mais uma vez destacar que um agrupamento novo e cada vez mais integrado ao anti-bolsonarismo se forma a partir de clusters não ligados à política tradicional. Apresentam mais de 15% do grafo anexo e são representados majoritariamente pela cor vermelha. Não se unem ao debate lavajatista vs bolsonarismo, mas sim ao descaso federal em relação a pandemia.

– Esse último ponto nos lembra um fato essencial na narrativa: estamos no meio de uma pandemia. E ela não dá sinais – assim como o governo federal – de que está sob controle. Para além do embate político existe o mundo cotidiano, real. Onde milhares de pessoas morrem diariamente. Diz a “teoria de graus de separação”, do estadunidense Stanley Milgram, que chegamos a qualquer pessoa no mundo com seis conexões. A pergunta é: quanto tempo levará para que todo brasileiro perca um ente querido para a pandemia? Essa realidade dificilmente deixará o bolsonarismo ileso, independente de quanto eles gritem após o 12º round.