Analisando Os incêndios que destruíram a Amazônia em 5 mil imagens

“Hora de passar a boiada”, disse Ricardo Salles. Compartilho com vocês uma análise com mais de 5 mil imagens que fiz, em 2019, após os incêndios que destruíram a Amazônia e que agora nos auxiliam a entender a preocupação (maléfica) do ministro com o tema.

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O grafo que acompanha esta análise é formado por mais de 5 mil imagens que, até agosto/2019, tratavam da destruição da Amazônia – principalmente em território brasileiro. A partir destas imagens analisei quais eram os elementos que se destacavam. Foram formados três agrupamentos:

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AGRUPAMENTO 1: Imagens de animais sendo queimados vivos eram um elemento recorrente em todos os agrupamentos de imagens analisados. Superavam em volume até mesmo as cenas de queimadas compartilhadas pelos usuários. Aqui temos um processo de antropomorfização com os animais. Imagens que apresentem macacos, por exemplo, lamentando os incêndios e a morte de companheiros se destacavam.

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AGRUPAMENTO 2: A bandeira do Brasil, talvez um dos elementos mais utilizados pela direita/bolsonarista no passado recente, é utilizada com uma conotação de incêndio, destruição e caos. Foi a 1ª vez que a bandeira apareceu como forma de contra-ataque ao bolsonarismo.

AGRUPAMENTO 3: A ausência de uma figura que conduzisse, na época, a indignação com o tema era nítida. Em algumas poucas imagens Marina Silva era lembrada, mas em volume ínfimo. Povos originários e bombeiros eram lembrados, ainda que em pequeno volume. Bolsonaro, por sua vez, é extremamente citado como o responsável pelas queimadas. Ele é constantemente retratado com motosserra, cara maléfica ou cuspindo fogo. O principal problema para Bolsonaro aqui era: a ausência de um ator capaz de promover a polarização personalista que tanto alimenta a rede bolsonarista. A tentativa de polarizar com as ONGs se mostrou, tempo depois, ineficaz.

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Enfim, é possível perceber que a maléfica preocupação do ministro do Meio Ambiente reside no fato de que o tema “Amazônia” atingir alguns elementos caríssimos para o bolsonarismo, como a imagem do país no exterior e, principalmente, a bandeira do Brasil.