Dias atrás rolou uma análise de como o “governo perdeu a batalha nas redes” sobre a PEC das praias e que precisou “Piovani colocar o dedo na ferida”. Pois bem: não houve batalha sobre o tema antes do dia 25/05 (gráfico abaixo) e as críticas a PEC são 75% das menções.

2º: não foi Luana – apesar da importância dela no debate – quem impulsionou o tema, mas sim um cluster ligado a defesa ambiental (
e afins) que alertou para o episódio. Em comum, o caráter antibolsonarista fomentado pela PEC de Flávio Bolsonaro.3º: até aqui 75% das menções fazem críticas a PEC e atacam principalmente Neymar e Flávio Bolsonaro, sendo que apenas 25% tentam elaborar alguma defesa da PEC. Ou seja: nem o bolsonarismo como um todo (enquanto líder da oposição nas redes) se engajou com o tema.

4º: portanto, não foi o governo quem impulsionou o tema e/ou reivindicou centralidade na pauta. Foi sim o antibolsonarismo e perfis ligados à pauta ambiental – e não “Luana Piovani” (enquanto influenciadora isolada) – quem cumpriu papel fundamental em alertar sobre o tema.
Assim, não há porque, na lógica de redes, atribuir ao governo federal uma derrota e/ou responsabilidade neste tema. Até porque não há, em um governo de frente ampla, uma base governista composta por laços ideológicos, mas sim um cluster formado por laços fracos, dos quais fazem parte diversos agrupamentos e todas as suas contradições e cobranças, principalmente daqueles que, no cenário macro, endossam diversas medidas do governo federal.
