América Latina, EUA e Brasil: a morte de Fidel Castro no Twitter

Entre os dias 26 e 27/11 foram capturadas 988.450 citações envolvendo Fidel Castro no Twitter. O tema, que manteve-se no topo do TT’Mundial durante todo o dia 26/11, foi debatido especialmente pelas redes latino-americanas durante  o período.

As citações capturadas formaram três grandes clusters principais. São eles:

fidel-castro-twitter

Cluster Amarelo [23,38%]: formado principalmente por lideranças venezuelanas e cubanas. Também possuem influência de peso nesse cluster usuários mexicanos, equatorianos e argentinos. A defesa de Fidel Castro e seu legado é a principal mensagem vinda desse cluster. Aqui, usuários como teleSURtv, cubadebate, Lenin [candidato à presidência do Equador], lopezobrador_ [político mexicano], Piedadcordoba [ex-senadora colombiana], Granma_Digital [órgão oficial do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba] e DrodrigezVen [ministra do poder popular para relações exteriores da República Bolivariana da Venezuela] promoveram incessantemente a defesa do líder cubano.

cluster-amarelo

Analisei também as principais palavras presentes na bios desses usuários que compõe o cluster em defesa de Fidel Castro:

FIDEL BIOS.png

Aqui, termos como chavista, constructor, patria, social, revolucion, cuenta, estudiante, bolibariana, nacion, Psuv, Cuba, Comandante, Mujer, Hijo, entre outras são as mais presentes.

Cluster Azul [19,01%]: formado por latino americanos contrários ao regime cubano e a Fidel Castro. As mensagens de ódio começam a aparecer, mas ainda com menor potência do que as registradas no cluster verde. Yoani Sánchez talvez seja a principal “representante” (online e offline) que explica esse grupo. Aqui, para além de mensagens de opositores cubanos (em sua maioria morando nos EUA), chama a atenção a presença de venezuelanos e argentinos contrários à Fidel Castro. As mensagens de ataque e comemoração a morte de Fidel são a maioria aqui.

cluster-azul

Cluster Verde [23,3%]: lideranças americanas comemorando (mesmo, sem meias palavras) a morte de Fidel Castro. Aqui, a presença de usuários como realDonaldTrump e FoxNews dizem muito sobre a representatividade do cluster, bem como o usuários Immigrant4Trump e o candidato republicano derrotado, Ted Cruz. Mas, um perfil chama atenção: AnnCouter. Segundo o Wikipedia, Ann Coulter é advogada, jornalista e “polemista”, segundo Wikipedia. Entre seus feitos estão: “causar controvérsias com seus artigos conservadores, defendendo o Presidente George W. Bush, o ex-senador Joseph McCarthy, o bombardeio à Coreia do Norte e atacando a teoria da evolução, a masturbação masculina, a homossexualidade, os direitos civis e os muçulmanos.”

cluster-verde

É curioso observar aqui as principais palavras encontradas nas descrições desses usuários que atacaram incessantemente Fidel Castro:

conserv

Termos como god, Trump, Conserv, #Maga (Make America Great Again), Christian, entre outros, mostram o teor conservador desse cluster. A nuvem sugere um cluster contraditório, onde “liberdade” é acompanhada por termos ligados à guerras e armas (NRA, por exemplo).

Observações

  • Chama muito a atenção a presença de diversos usuários latino-americanos envolvidos fortemente com o debate. Vale ressaltar também a coesão do cluster em defesa à Fidel Castro e a importância que usuários argentinos, cubanos e venezuelanos tem aqui. Fato curioso: a importância de usuários cubanos na defesa de Fidel no Twitter.
  • A diferença entre as bios é nítida, ainda mais quando nos apegamos a alguns pontos específicos. Enquanto entre os defensores de Fidel facilmente reconhecemos termos como mujer e feminista, esses termos não aparecem entre os mais utilizados na bios do cluster americano de ataque à Fidel. Aqui, mulheres são definidas como wife e mom, principalmente.
  • Fica evidente também a importância do Twitter no debate político venezuelano. Nesse país, forças de esquerda e direita se digladiam também pela defesa/ataque ao líder cubano.
  • Aqui, nota-se um distanciamento dos usuários brasileiros frente ao debate latino-americano. Até mesmo o cluster brasileiro de ataques à Fidel Castro encontra-se mais próximo do cluster americano do que o próprio cluster latino-americano.