A CPI e seu fluxo nas redes

A substituição da catarse pelo flow como elemento central para a ascensão de novas mídias é ponto central em um estudo que nos ajuda a compreender as dificuldades que o bolsonarismo enfrenta ao lidar com a #CPIdaCOVID. Explico:

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De modo geral, o que orientaria as redes sociais não são momentos de catarse, mas sim um flow, um fluxo de informações constante. O mesmo aconteceria hoje com a #CPIdaCOVID.

Maior volume de usuários no campo anti-negacionista, com 58,4% dos atores coletados e 47% das interações no campo verde. O bolsonarismo representou 31,6% dos atores e 47,7% das interações. O grau médio do bolsonarismo é de 9,8; o do campo anti-negacionista é 5,2.

O bolsonarismo soube se aproveitar dessa noção de flow para disputar as redes. A ausência de uma catarse sempre fomentou o engajamento desse cluster. A narrativa bolsonarista, adaptada, pauta o debate, sem desfechos e sem catarses, em uma incessante sobreposição de temas.

A CPI representa um entrave para essa tática, uma vez que apresenta muitas características do flow. São convocações, depoimentos e atores focados em desmentir os depoentes sempre que necessário. Mais importante: esses usuários hoje entendem a importância dessa disputa.

Setores importantes da imprensa não compreenderam e se desesperam com a condução dos trabalhos. Outros atores, como Renan Calheiros, entenderam esse ponto de virada e fomentam esse movimento. Fato é que, hoje, o bolsonarismo enfrenta nas redes o que era um de seus trunfos.

O estudo está presente no livro The Digital Plenitude: The decline of Elite Cutlure and the Rise of New Media do pesquisador Jay David Botler.