O “silêncio ineficaz” de Carlos Wizard e o desabafo de Zambelli

Dois pontos que se destacam em + 1 dia de #CPIdaCOVID: 1-) o quão ineficaz foi o silêncio de Wizard em uma CPI que dialoga diretamente com atores das redes sociais e; 2-) o quão real é o “isolamento bolsonarista” nas redes que Carla Zambelli cita em sue “desabafo”.

Zambelli afirmou que os bolsonaristas “vivem em uma bolha”, lamentando o isolamento do campo bolsonarista [verde]. O isolamento do bolsonarismo se contrapõe ao amplo campo de atores que dialogam, hoje, por meio do anti-bolsonarismo no Twitter [lado esquerdo do grafo].

São alianças contranaturais que formam essas conexões pelo anti-bolsonarismo? São. Produzem filiação ideológica? Não. Mas representam sim uma possibilidade de amplificar o discurso que, hoje, o bolsonarismo não tem. O problema que o bolsonarismo enfrenta neste momento é: não importa quantas centenas de milhares de robôs impulsionem uma #, ou se o presidente resolveu falar de voto impresso: a mensagem bolsonarista, hoje, não ultrapassa mais o núcleo duro do bolsonarismo.

Já o silêncio de Wizard se mostrou extremamente ineficaz. Mesmo calado, materiais que denunciam a atuação do empresário foram reproduzidos diversas vezes, assim como na CPI. Se em outros momentos da história a possibilidade de ficar calado era um artifício importante, hoje o silêncio de Wizard foi irrelevante para o engajamento dos usuários com o tema.

Assim como milhares de bots falando sobre uma pauta impopular não implica, necessariamente, em uma interferência na opinião dos que se interessam pelo tema, um depoente em silêncio não impede a replicação de conteúdos que o liguem ao genocídio da população brasileira.